Curetagem Uterina

O que é a raspagem (curetagem uterina)?

A curetagem uterina é um procedimento cirúrgico que visa à raspagem da camada interna do útero (endométrio) por meio de instrumental cirúrgico (cureta) com finalidade diagnóstica ou terapêutica.

Para que serve a curetagem uterina?

As principais indicações de curetagem uterina são:

a. Obtenção de amostra (material) endometrial com finalidade diagnóstica;

b. Tratamento do sangramento uterino anormal (disfuncional) em casos graves;

c. Esvaziamento uterino no abortamento.

Como é realizada? Há dor? É necessário anestesia?

A curetagem uterina deve ser realizada, preferencialmente, em ambiente hospitalar. Há necessidade de anestesia. Para os casos de esvaziamento uterino no abortamento, dá-se preferência à anestesia geral. Nas situações de indicação diagnóstica, em que normalmente é necessária apenas a obtenção de pouco material para diagnóstico, a anestesia local pode ser suficiente.

Para acesso à cavidade uterina é necessário que o colo do útero esteja dilatado. Nos casos de abortamento em curso, é frequente a dilatação espontânea do colo uterino. Entretanto, em todos os casos em que não haja dilatação espontânea do colo uterino, ele deve ser dilatado.

A dilatação pode ser realizada por meio de instrumentos denominados “velas” ou através da introdução, no colo, de dilatadores higroscópicos (“laminária”- uma alga marinha) que, quando colocados no colo uterino, em contato com fluidos, têm a capacidade de expandir seu diâmetro (por absorção dos fluidos) e consequentemente dilatar o colo uterino. É ainda possível dilatar o colo por meio da utilização de medicamentos (misoprostol) que causam dilatação do canal cervical.

Após a dilatação do colo uterino, raspa-se cuidadosamente a cavidade do útero com auxílio da cureta, que é um instrumento cirúrgico semelhante a uma colher. O material obtido deve sempre ser enviado para estudo anatomopatológico.

Quais são as medidas tomadas antes da curetagem? Que exames devem ser feitos antes desta cirurgia?

Exame físico geral e tocoginecológico são fundamentais na obtenção de hipóteses diagnósticas. A ultrassonografia transvaginal é exame valoroso para se obter informações a respeito da forma, do tamanho e do conteúdo uterino. Desde que não haja urgência, deve-se solicitar exames pré-operatórios com o intuito de diminuir os riscos anestésicos e cirúrgicos e também identificar doenças associadas.

Quais são as medidas tomadas depois da curetagem? A mulher que se submete à cirurgia pode ir embora no mesmo dia?

Geralmente, a paciente pode ser liberada para casa cerca de 6 horas após o procedimento. No dia do procedimento, a dieta é leve devido à anestesia, e no dia seguinte já é retomada a dieta habitual.

Algumas mulheres mais ativas já retomam sua rotina após 24 horas de repouso, e outras permanecem em repouso relativo por um período de até 3 dias. Na ausência de complicações, não existe necessidade de repouso físico após esse período. Devido à dilatação do colo uterino, a paciente não poderá realizar banho de imersão (banheiras, piscinas etc.) nos primeiros 5 dias, para diminuir as chances de uma possível infecção.

Quais são as complicações que podem surgir decorrentes da curetagem uterina?

Felizmente, em se tratando de curetagem uterina, as complicações são raras e o procedimento é considerado seguro e relativamente simples. Ocasionalmente, contudo, pode haver complicações, tanto anestésicas quanto cirúrgicas. A complicação mais preocupante é a perfuração uterina, que pode levar ao sangramento para a cavidade abdominal e à lesão de órgãos adjacentes (bexiga e alças intestinais). Outras complicações são a infecção e ainda a formação de sinequia uterina (adesão cicatricial das paredes uterinas, com alteração menstrual e prejuízo da fertilidade).

Há outros métodos que substituam a curetagem uterina?

Atualmente, para o diagnóstico de afecções ginecológicas (pólipos, mioma), dá-se preferência à histeroscopia, que pode ser tanto diagnóstica quanto cirúrgica. Na histeroscopia, emprega-se uma câmera endoscópica para análise visual da cavidade endometrial, enquanto que na curetagem o procedimento é feito sem essa visibilização.

Em relação ao tratamento cirúrgico do abortamento do primeiro trimestre de gestação, a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) tem se mostrado método tão eficaz quanto a curetagem. A AMIU consiste na retirada de material uterino por meio de vácuo gerado por uma cânula acoplada a uma seringa.

Qualquer mulher pode se submeter à cirurgia? Há idade mínima ou máxima?

Não existe idade mínima ou máxima para determinação da indicação da cirurgia, e sim existe a necessidade de considerar riscos e benefícios da cirurgia também em função da idade de cada paciente candidata ao procedimento. No tratamento do abortamento, qualquer mulher em idade fértil pode precisar de uma curetagem uterina, aí incluídas as adolescentes até as mulheres no limite da fertilidade, próximo aos 50 anos. Nos casos diagnósticos, efetivamente cada vez mais se emprega o uso da histeroscopia, mas tanto a curetagem quanto a histeroscopia podem ser realizadas em pacientes idosas, desde que as condições clínicas gerais da paciente permitam.

Há algum tratamento complementar à raspagem?

No caso da realização de curetagem uterina no sangramento uterino anormal (disfuncional), ela é um tratamento de último recurso, visando conter uma hemorragia do momento. Deve-se, portanto, após a cirurgia, investigar e corrigir o fator desencadeante do sangramento.

Do contrário, eventualmente haverá novo episódio de hemorragia, uma vez que a curetagem uterina só foi utilizada para controlar a hemorragia. Quando empregada no tratamento do abortamento ou no diagnóstico, a curetagem é o tratamento final e só não se deve esquecer de conferir o resultado do exame anatomopatológico do material extraído.

Uma resposta para Curetagem Uterina

  1. Adriana disse:

    Gostei muito desse site!

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