Microcefalia em bebês: qual a relação com o Zika vírus?

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Segundo nota divulgada no dia 27 de novembro, “o Ministério da Saúde considera confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial. As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez”.

Já se sabia desde o meio de novembro, quando foi encontrado indícios do vírus no líquido amniótico (que envolve os bebês durante todo o seu desenvolvimento), que as doenças poderiam estar relacionadas. Contudo, agora com a confirmação em amostras de sangue e tecido, o Ministério confirmou esta relação. Por se tratar de algo novo, não descrito anteriormente na literatura médica, ainda não se sabe exatamente como funciona a relação entre os problemas.

O Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz/RJ participa das investigações e concluiu, no dia 17 de novembro, diagnósticos que constataram a presença do genoma do vírus Zika em amostras de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram confirmados com microcefalia através de exames de ultrassonografia. O material genético (RNA) do vírus foi detectado em amostras de líquido amniótico, com o uso da técnica de RT-PCR em tempo real.

Como prevenir a microcefalia?

As crianças que apresentam microcefalia têm problemas de desenvolvimento. Não há tratamentos para a condição, mas tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida.

São diversas as causas da microcefalia, desde infecções virais e uso de certos medicamentos, até condições genéticas. Por isso, “a melhor forma de se prevenir não só a microcefalia, mas diversas outras condições de saúde, é com a realização do pré-natal”, explica o neuropediatra Paulo Breinis, do Hospital São Luiz. Além disso, ao primeiro sinal de febre ou manchas no corpo a gestante deve procurar atendimento médico o mais rápido o possível.

Dentre as recomendações médicas para prevenir a microcefalia também estão:

Não ingerir álcool durante a gravidez: “O consumo de álcool predispõe o bebê a diversas doenças, como Síndrome do Alcoolismo Fetal“, diz o neuropediatra Breinis.

Não utilizar medicamentos sem a orientação médica: “Já se sabe há muito tempo que alguns medicamentos podem interferir na formação fetal, inclusive causando uma má formação do cérebro como a microcefalia. É importante que a gestante não tome nenhum tipo de medicamento sem orientação médica”, orienta o infectologista Granato.

Evitar contato com pessoas com febre, exantemas ou infecções: “Teoricamente toda infecção pode dar alguma alteração no desenvolvimento do feto, desde uma rubéolacitomegalovírus, até a denguefebre zikafebre chikungunya. Por isso é importante evitar a exposição geral a doenças”, orienta Granato.

Proteger-se da picada dos mosquitos: como há a possibilidade da microcefalia ser causada pelo vírus zika, que por sua vez é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti – além das complicações já sabidas nos casos de dengue, por exemplo – uma das recomendações do Ministério é evitar se expor ao mosquito. O que pode ser feito eliminando os criadouros dele, ou seja, retirar recipientes que tenham água parada e cobrir adequadamente locais de armazenamento, além do uso de repelentes indicados para gestantes.

Aconselhamento genético: “Existem formas de microcefalia que são genéticas e não são causadas por um vírus, intoxicação ou outro agente externo. Inclusive, são várias as causas da microcefalia genética, então é importante fazer o aconselhamento genético para verificar o que estas condições podem causar”, diz o neuropediatra Breinis.

Fonte: Ministério da Saúde

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