Big brother embrionário: a nova moda das clínicas de reprodução

embriaoFoto EPARBM

Centros de reprodução privados de São Paulo têm vendido um novo diferencial nos tratamerntos de fertilização in vitro: equipamentos que monitoram o embrião 24 horas e permite com que o casal acompanhe o desenvolvimento embrionário de casa, na tela do computador ou da TV. Ainda que esse aparelho tenha uma vantagem real (dispensa a necessidade de se retirar o embrião da incubadora para ser examinado), fico me perguntando qual será o impacto emocional dessa nova tecnologia aos casais tentantes.

Atualmente, os casais só vêem “a cara” do embriãozinho na hora da transferência. É um momento emocionante e, não raras as vezes, a mulher já sai da clínica acreditando que esteja carregando um filho na barriga. Recebe todas as orientações para se comportar como se já estivesse grávida (nada de peso, atividade física ou relações sexuais). Portanto, quando vem a menstruação ou quando o teste do Beta HCG dá negativo, a tristeza é imensa porque a sensação é de um verdadeiro luto.

Fico imaginando agora você poder acompanhar o seu embrião de casa. Um, dois, três dias (o tempo que, em geral, ele fica em cultura até atingir um número de células suficientes para transferência para o útero). Você ali, observando aquele amontoado de células se multiplicando e fazendo planos para aquele suposto filho que ainda não foi gestado.

Será que, em algum momento, você vai lembrar das cruéis estatísticas? De que, na melhor das hipóteses, são apenas 30% de chances de aquelas células se transformarem no bebê dos seus sonhos? Acho que não. Até a mais racional das mulheres se permite a sonhar nesses momentos e esquecer as lições da estatística e da lógica.

Para os centros de reprodução, “o big brother” embrionário pode render boas ações de marketing e poderá agradar muita gente. Talvez esse “mimo” também tenha um custo maior no preço final do tratamento ainda que não mencionado.  Mas não vejo como ele possa ajudar no aspecto emocional. Vou ainda mais longe. Penso que ele seja um estressor a mais num momento de extrema fragilidade, ou seja, quando o tratamento falha. É só um palpite. Esperemos para ver.

Escrito por Cláudia Collucci

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