Reposição Hormonal

Blog do Dr Christian Ferraz

Reposição hormonal

A Terapia Hormonal (TH) foi originalmente desenvolvida para tratar os sintomas do climatério – calores repentinos, suores, insônia, irritação, secura vaginal, entre outros. O tratamento consiste em repor no organismo o hormônio estrogênio, associado ou não com outro hormônio, a progesterona.

Durante os anos 90, observações sobre a saúde das mulheres que faziam uso da TH sugeriam que a terapia poderia fazer mais do que promover o alívio dos incômodos sintomas do climatério como, por exemplo, rejuvenescer. A revista médica britânica Lancet publicou um estudo em que mostra a importância dos níveis de estrogênio para a aparência. A pele da mulher que faz reposição hormonal é mais espessa, hidratada e resistente, apresentando menor tendência a rugas.

Outro fator importante: a TH consegue prevenir e tratar a osteoporose, vantagem comprovada por trabalhos científicos que mostram que ela ajuda a reduzir o risco de fraturas, pois os hormônios agem na preservação da massa óssea.

Presença do médico

Como em qualquer outra terapia, há contraindicações que devem ser observadas e a opção pela TRH não pode ser feita sozinha. Ou seja, a decisão deve ser tomada em conjunto com…

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o ginecologista, com base em informações que ele vai colher sobre histórico de saúde, dados clínicos e exames. Só assim é possível saber se a TH é indicada ou não. É bom considerar, também, que atualmente existem dezenas de opções de terapias para reposição hormonal, e ninguém melhor que o médico para indicar qual a melhor. Além disso, faça as consultas de retorno de acordo com a orientação que receber. Somente seu médico poderá avaliar a dose exata do medicamento indicada para você e acompanhar a ação dele em seu organismo. Também não abandone a terapia hormonal por conta própria. Se estiver pensando nisso, converse com seu médico e receba dele a orientação necessária. Muitas vezes podem aparecer efeitos colaterais facilmente superados, em geral, com uma troca do tipo de medicamento.

É importante ressaltar que tudo o que envolve a Terapia Hormonal tem sido e deve ser tratado individualmente pela medicina. Cada pessoa é única e pede medicamentos ou ações específicas para o seu caso.

O que diz o Consenso

É essa observação individualizada que prega o Consenso sobre a Terapêutica Hormonal na Menopausa, elaborado pela Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) e que apresenta um posicionamento da classe médica brasileira sobre os benefícios e as contraindicações da terapêutica hormonal (TH).

De acordo com o Consenso, se feita de maneira adequada, levando em conta as especificidades de cada caso, a TH pode trazer uma série de benefícios sem oferecer riscos. Observe as conclusões do Consenso:

 Não há dúvidas quanto ao alívio que a terapêutica hormonal traz para os sintomas do climatério, proporcionando melhor qualidade de vida às mulheres.

 A TH pode prevenir e tratar a osteoporose, vantagem comprovada por trabalhos científicos que mostram que ela ajuda a reduzir o risco de fraturas, pois os hormônios agem na conservação da massa óssea.

 Muitos dos efeitos benéficos e adversos da terapia estão relacionados à dose hormonal, por isso, a tendência é que elas sejam cada vez mais reduzidas.

 Até quando a TH deve ser mantida? De novo a questão da individualização: depende da análise da relação risco/benefício para cada caso.

 As contraindicações devem ser sempre avaliadas. O médico precisa verificar antecedentes ou riscos de doenças como tromboembolia, câncer de mama, câncer de endométrio e doença hepática, além de casos de sangramento vaginal não diagnosticado ou porfiria (distúrbio provocado por deficiências de enzimas).

 O Consenso da Sobrac diz que o National Institute of Healthy, dos Estados Unidos, encerrou uma parte importante da pesquisa do Women’s Health Initiative (WHI) – estudo polêmico sobre a TH que revelou o risco de câncer de mama. Após sete anos de estudos com 11 mil mulheres tratadas aleatoriamente com estrogênio isolado ou placebo, não houve alteração na incidência de câncer de mama.

 Não se pode afirmar que a TH só apresente riscos cardiovasculares e não ofereça qualquer benefício de proteção. Se corretamente empregada, a TH pode ser importante na prevenção primária de doenças cardiovasculares, mas esse aspecto necessita de mais comprovação. O fato é que a TH não deve substituir as medidas de prevenção dessas doenças.

Opções de tratamento

Desde que não haja contraindicações para o uso da TH, para as mulheres que não tem útero o tratamento pode ser feito somente com estrogênio, dando preferência ao hormônio natural, parecido ou idêntico ao produzido pelos ovários.

Se a mulher tem útero, ela precisa receber uma dose combinada de estrogênio e progesterona. A razão para isso: quando se usa o estrogênio sozinho ocorre a proliferação da camada interna do útero, o que aumenta o risco de câncer de endométrio. O papel da progesterona é evitar essa ação.

Embora existam várias formas de administração da TH – oral, transdérmica e subcutânea, por exemplo – o tratamento por via oral facilita o ajuste da terapia, pois a dosagem pode ser alterada de um dia para o outro sem causar problemas.

Outra opção de Terapia Hormonal, que inclusive tem tido melhor aceitação, é a tibolona, uma molécula com características especiais. Ao entrar na circulação, ela libera três substâncias: estrogênio, progesterona e androgênio. Seu efeito estrogênico age sobre as ondas de calor, a secura e a atrofia genital, promove a elasticidade e a hidratação da pele e protege contra a osteoporose; suas propriedades progestagênicas protegem o útero; e seu composto androgênico melhora o bem-estar e, principalmente, a libido, já que repõe a testosterona, hormônio masculino diretamente responsável pelo desejo sexual.

Sempre é bom ressaltar: qualquer que seja a opção, os benefícios da Terapia Hormonal dependem diretamente da orientação de seu médico.

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